Descabida
"Teu cais deve ficar em algum lugar assim, tão longe quanto eu possa ver de mim, onde ancoraste teu veleiro em flor... Sem mais, a vida vai passando no vazio, estou com tudo a flutuar no rio, esperando a resposta ao que chamo de amor..."
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 A luz do quarto estava tão baixa, que a única coisa que iluminava a nossa cama era a luz amarelada do abajur da cômoda esquerda. A madrugada que se estendia na imensidão daquele momento era bonita, mas as estrelas que estavam quase que penduradas em teus olhos conseguiam ser mais, o que casava perfeitamente com a escuridão que tomava minha vista. Sua boca se encaixava perfeitamente na minha, e a cada movimento dos teus lábios, uma sensação diferente tomava meu corpo… Eram borboletas no estômago, um arrepio na nuca, uma paixão que depois de tanto tempo adormecida, acordava naquela hora. Tuas mãos eram firmes em meu corpo, e passeavam por cada parte, deslizavam a minha cintura e dançavam em um ritmo gostoso, o que fazia por um instante meus olhos se fecharem e me transformar em alguém mais sensitiva do que visual. E era bom. Eu sossegava e logo me agitava novamente, e aquele frio na barriga não me largava nem por um instante. Você olhava de um jeito estranho, como se estivesse satisfeito com a situação, e mordia a própria boca antes de morder a minha. O teu corpo era tão quente que a coberta ficou de lado, e o suor que escorria desenhava a tua escultura de homem, e aquilo conseguia me provocar de um jeito que eu não imaginava ser possível.  A gente se perdeu. E o resto do mundo não fazia a menor diferença. A gente se perdeu no meio de nós mesmos e a única coisa que guiava cada um era o amor e a vontade um do outro. Seu cabelo ficou enroscado em meus dedos, tuas costas marcadas por minhas unhas, o seu pescoço com algumas manchas vermelhas… E, seus olhos ainda eram tão brilhantes quanto estavam antes de a cena toda começar.  Você parou por alguns instantes e me olhou como se pudesse enxergar minha alma dentro de toda a escuridão e de toda alegria que me tomava naquele momento, e ficou assim. Você sabia que era o único pra mim. E, eu sabia que era a única pra você e essa situação toda nos bastava.  Então, você voltou ao que fazia antes, sorriu com malícia e apertou teu corpo contra o meu, e pela primeira vez em minha vida eu não reclamei de estar presa a alguém. Você ia me comandando do jeito que queria, e eu lhe acompanhava porque aquilo também satisfazia a vontade de impregnar o teu cheiro na minha pele, pra que quando você fosse embora eu ainda pudesse contar com algo que me lembrasse você do jeito mais íntimo possível. Eu sentia que íamos queimar, e que nada mais nos salvaria… Mas não importava. Não me importava a perdição, o castigo, não me importava o pecado. O teu gosto me tirou da realidade, o teu desenho ficou perfeito em minhas mãos e o resto não fazia diferença alguma. Eu era sua por completo. E você, dentro de mim, completou o que faltava. E algo em você me dizia que também era meu pra sempre, mesmo você não acreditando que isso existisse.  O que aconteceu entre nós foi uma confissão, foi a redenção, foi satisfação máxima. Eu, em meu romantismo exagerado diria até que foi mágico. Você, em seu realismo escancarado, diria que foi a confirmação do meu desejo e o “selo” que faltava pra poder dizer que era amor… Mas, volto a dizer desse meu jeito emocional que era amor antes mesmo de se selar. Era amor no gesto, na despedida, era amor no abraço, no beijo, no pensamento… Era amor no abismo e continuou sendo amor quando, naquela noite, tocamos o céu.
Schimene Weber

 A luz do quarto estava tão baixa, que a única coisa que iluminava a nossa cama era a luz amarelada do abajur da cômoda esquerda. A madrugada que se estendia na imensidão daquele momento era bonita, mas as estrelas que estavam quase que penduradas em teus olhos conseguiam ser mais, o que casava perfeitamente com a escuridão que tomava minha vista. Sua boca se encaixava perfeitamente na minha, e a cada movimento dos teus lábios, uma sensação diferente tomava meu corpo… Eram borboletas no estômago, um arrepio na nuca, uma paixão que depois de tanto tempo adormecida, acordava naquela hora. Tuas mãos eram firmes em meu corpo, e passeavam por cada parte, deslizavam a minha cintura e dançavam em um ritmo gostoso, o que fazia por um instante meus olhos se fecharem e me transformar em alguém mais sensitiva do que visual. E era bom. Eu sossegava e logo me agitava novamente, e aquele frio na barriga não me largava nem por um instante. Você olhava de um jeito estranho, como se estivesse satisfeito com a situação, e mordia a própria boca antes de morder a minha. O teu corpo era tão quente que a coberta ficou de lado, e o suor que escorria desenhava a tua escultura de homem, e aquilo conseguia me provocar de um jeito que eu não imaginava ser possível. 
 A gente se perdeu. E o resto do mundo não fazia a menor diferença. A gente se perdeu no meio de nós mesmos e a única coisa que guiava cada um era o amor e a vontade um do outro. Seu cabelo ficou enroscado em meus dedos, tuas costas marcadas por minhas unhas, o seu pescoço com algumas manchas vermelhas… E, seus olhos ainda eram tão brilhantes quanto estavam antes de a cena toda começar. 
 Você parou por alguns instantes e me olhou como se pudesse enxergar minha alma dentro de toda a escuridão e de toda alegria que me tomava naquele momento, e ficou assim. Você sabia que era o único pra mim. E, eu sabia que era a única pra você e essa situação toda nos bastava.  Então, você voltou ao que fazia antes, sorriu com malícia e apertou teu corpo contra o meu, e pela primeira vez em minha vida eu não reclamei de estar presa a alguém. Você ia me comandando do jeito que queria, e eu lhe acompanhava porque aquilo também satisfazia a vontade de impregnar o teu cheiro na minha pele, pra que quando você fosse embora eu ainda pudesse contar com algo que me lembrasse você do jeito mais íntimo possível. Eu sentia que íamos queimar, e que nada mais nos salvaria… Mas não importava. Não me importava a perdição, o castigo, não me importava o pecado. O teu gosto me tirou da realidade, o teu desenho ficou perfeito em minhas mãos e o resto não fazia diferença alguma. Eu era sua por completo. E você, dentro de mim, completou o que faltava. E algo em você me dizia que também era meu pra sempre, mesmo você não acreditando que isso existisse. 
 O que aconteceu entre nós foi uma confissão, foi a redenção, foi satisfação máxima. Eu, em meu romantismo exagerado diria até que foi mágico. Você, em seu realismo escancarado, diria que foi a confirmação do meu desejo e o “selo” que faltava pra poder dizer que era amor… Mas, volto a dizer desse meu jeito emocional que era amor antes mesmo de se selar. Era amor no gesto, na despedida, era amor no abraço, no beijo, no pensamento… Era amor no abismo e continuou sendo amor quando, naquela noite, tocamos o céu.

Schimene Weber

2 years ago with 9 notes

De você, não espero mais sequer um vintém. Na verdade, há muito já deixei de esperar algo de nós. As coisas já não estão claras aos meus olhos, penso eu que nem nos seus. Nossa visão se embaçou devido ao tempo e as lágrimas, e todas as palavras se embaralharam em minha mente. O papel da carta que lhe escrevi e não tive coragem de mandar ainda está na gaveta, e o lápis se desgastou com o tempo, da mesma forma que aconteceu com meu coração. E não venha me dizer agora que vai mudar ou que não entende o meu jeito de usar metáforas pra dizer algo que sempre foi tão claro, que é o quanto eu preciso de você. Ou precisava. O sabor amargo que costumava ficar só na taça do vinho misturado com o cigarro agora teima em acompanhar minha boca. E a voz ficou tão baixa. E o brilho ficou apagado. Não, não são claras as palavras que gosto e que prefiro usar… Prefiro que seja assim, pra que só quem sinta falto parecido possa desvendar o que pretendo dizer. O fato é que a gente já não dá mais certo… Simplesmente pelo fato de que não há mais o que descobrir. Tuas atitudes são previsíveis, minhas lágrimas são rotineiras. Essas palavras sempre batem à minha porta no meio da madrugada, e eu inocentemente teimo em abrir a porta para que elas entrem e desenvolvam essas linhas que até soam dramáticas pra quem não conhece nada sobre a gente, ou pra quem nunca viveu uma verdadeira tragédia romântica.Não exijo nada de você, mesmo. Eu não queria te deixar pra lá, mas parece que isso se faz necessário cada dia que passa… Dependente de você eu já não posso permanecer, porque meus dias vem sendo passados em cima de uma cama, com um livro e uma xícara de café, como se isso de alguma forma viesse a resolver essa depressão em que me envolvi há alguns meses, quando cheguei a conclusões óbvias que só decidi aceitar agora. O palco que costumava abrigar esse espetáculo estranho de amor e ódio já não tem sequer uma luz acesa. Nós não somos mais bonecos de pano ou artistas amadores que tentam encenar algo pra causar emoção aos olhos dos outros, porque não causamos nem sequer um indício de lágrimas no nosso próprio olhar. Você tenta fingir e me dizer que vai dar tudo certo, ou que vai ficar tudo bem, mas essas palavras não possuem valor algum se nem você mesmo consegue acreditar em promessas fajutas que insiste em me dizer pra cessar minhas lágrimas que correm constantemente durante a noite.Veja bem: pegue suas coisas, todas elas… O teu perfume, a tua camisa, tuas garrafas de vinho, tua escova de dente, tua navalha e teu orgulho, coloque essas coisas em uma sacola e vai embora. Não aparece mais. Não liga, não diz que se importa, não finge… Eu não aguento mais carregar esse fardo todo enquanto você anda sem peso algum em tuas costas, me vendo tropeçar, cair encima dos meus braços já cansados e não faz nada, nem se move. Fica olhando como se esperasse que eu lhe pedisse pra que viesse até a mim, mas eu já fiz isso por tempo demais, já permiti por tempo demais tamanho absurdo, já quis ser tua demais.Agora, sinceramente, só quero que vá embora e que não chame mais. E que não diga mais que me ama, se isso for da boca pra fora. Já me machucou demais, já surrou demais esse trapo que bate dentro de mim e que insistem em dizer que é um coração.Coração era o que eu tinha há meses atrás, quando resolvi me meter em sua vida tão complicada, tão corrida… Quando me permiti querer conhecer o teu interior, o fundo dos teus olhos. E, veja… Eu me perdi ali. Me perdi no teu interior, e agora eu não consigo sair. Talvez, se você for embora, eu recupere minha consciência e volte a mim. Volte a me enxergar na frente de um espelho, ao invés de ver somente uma sombra escura, ou um rascunho de alguém que, clara e visivelmente, se machucou demais devido às circunstâncias. Então, parte… Parte e me deixa ser eu mesma, ao menos por um segundo, ao menos até conseguir me consertar. Vai embora, que, agora, eu preciso muito de mim mesma. De mim, e mais ninguém.Schimene Weber

De você, não espero mais sequer um vintém. Na verdade, há muito já deixei de esperar algo de nós. As coisas já não estão claras aos meus olhos, penso eu que nem nos seus. Nossa visão se embaçou devido ao tempo e as lágrimas, e todas as palavras se embaralharam em minha mente. O papel da carta que lhe escrevi e não tive coragem de mandar ainda está na gaveta, e o lápis se desgastou com o tempo, da mesma forma que aconteceu com meu coração. E não venha me dizer agora que vai mudar ou que não entende o meu jeito de usar metáforas pra dizer algo que sempre foi tão claro, que é o quanto eu preciso de você. Ou precisava. 
O sabor amargo que costumava ficar só na taça do vinho misturado com o cigarro agora teima em acompanhar minha boca. E a voz ficou tão baixa. E o brilho ficou apagado. Não, não são claras as palavras que gosto e que prefiro usar… Prefiro que seja assim, pra que só quem sinta falto parecido possa desvendar o que pretendo dizer. 
O fato é que a gente já não dá mais certo… Simplesmente pelo fato de que não há mais o que descobrir. Tuas atitudes são previsíveis, minhas lágrimas são rotineiras. Essas palavras sempre batem à minha porta no meio da madrugada, e eu inocentemente teimo em abrir a porta para que elas entrem e desenvolvam essas linhas que até soam dramáticas pra quem não conhece nada sobre a gente, ou pra quem nunca viveu uma verdadeira tragédia romântica.
Não exijo nada de você, mesmo. Eu não queria te deixar pra lá, mas parece que isso se faz necessário cada dia que passa… Dependente de você eu já não posso permanecer, porque meus dias vem sendo passados em cima de uma cama, com um livro e uma xícara de café, como se isso de alguma forma viesse a resolver essa depressão em que me envolvi há alguns meses, quando cheguei a conclusões óbvias que só decidi aceitar agora. 
O palco que costumava abrigar esse espetáculo estranho de amor e ódio já não tem sequer uma luz acesa. Nós não somos mais bonecos de pano ou artistas amadores que tentam encenar algo pra causar emoção aos olhos dos outros, porque não causamos nem sequer um indício de lágrimas no nosso próprio olhar. 
Você tenta fingir e me dizer que vai dar tudo certo, ou que vai ficar tudo bem, mas essas palavras não possuem valor algum se nem você mesmo consegue acreditar em promessas fajutas que insiste em me dizer pra cessar minhas lágrimas que correm constantemente durante a noite.
Veja bem: pegue suas coisas, todas elas… O teu perfume, a tua camisa, tuas garrafas de vinho, tua escova de dente, tua navalha e teu orgulho, coloque essas coisas em uma sacola e vai embora. Não aparece mais. Não liga, não diz que se importa, não finge… Eu não aguento mais carregar esse fardo todo enquanto você anda sem peso algum em tuas costas, me vendo tropeçar, cair encima dos meus braços já cansados e não faz nada, nem se move. Fica olhando como se esperasse que eu lhe pedisse pra que viesse até a mim, mas eu já fiz isso por tempo demais, já permiti por tempo demais tamanho absurdo, já quis ser tua demais.
Agora, sinceramente, só quero que vá embora e que não chame mais. E que não diga mais que me ama, se isso for da boca pra fora. Já me machucou demais, já surrou demais esse trapo que bate dentro de mim e que insistem em dizer que é um coração.
Coração era o que eu tinha há meses atrás, quando resolvi me meter em sua vida tão complicada, tão corrida… Quando me permiti querer conhecer o teu interior, o fundo dos teus olhos. E, veja… Eu me perdi ali. Me perdi no teu interior, e agora eu não consigo sair. Talvez, se você for embora, eu recupere minha consciência e volte a mim. Volte a me enxergar na frente de um espelho, ao invés de ver somente uma sombra escura, ou um rascunho de alguém que, clara e visivelmente, se machucou demais devido às circunstâncias. 
Então, parte… Parte e me deixa ser eu mesma, ao menos por um segundo, ao menos até conseguir me consertar. Vai embora, que, agora, eu preciso muito de mim mesma. De mim, e mais ninguém.

Schimene Weber

2 years ago

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Recolhe suas dores,
se veste,
se veste de amor próprio,
de sorrisos,
de felicidade,
se veste de você.
Flutuar-se   (via eucanseideserbobo)

2 years ago with 2696 notes

 Talvez soe dramático ou extremo demais aos ouvidos de muitos, mas dizer que você é o que esperei durante toda a vida não é exagero. Até seu jeito de segurar minhas mãos se tornou diferente. Teu sorriso passou a ser o mais bonito de todo o mundo, e seus olhos que quase se fecham quando você sorri são tão brilhantes quanto às estrelas que, todas as noites, iluminam o céu. Teu jeito de arrumar o óculos chega a ser engraçadinho, e suas mãos, quando se abrem pra segurar algum livro ou até mesmo a xícara de café, parecem que podem segurar o mundo. Teu ombro largo te dá a aparência de um homem feito, e o tanto de barba que tem em teu rosto é o ideal pra que, quando encoste o queixo em mim, meu corpo se arrepie. Seu abraço, rapaz… Seu abraço é quase um abrigo, uma tenda, onde sei que posso me recolher quando o medo for maior que minha coragem, ou quando apenas estiver cansada demais. E, teu beijo é tão doce quanto o mel, tua boca é tão macia quanto penso que uma nuvem pode ser. Gosto tanto de todas as coisas em você, que se você olhasse firme em meus olhos e me prometesse que seria capaz de me fazer voar, eu acreditaria em teu olhar de promessas e deixaria você fazer o que bem entendesse comigo. Gosto tanto de todas as coisas em você, que até mesmo os seus defeitos eu preservaria. Parece que cada traço, por menor que seja, faça de você o que é certo pra mim, e como uma via de mão dupla, cada coisinha em você se encaixa em mim, e, me faz guardar entre uma ou outra citação, entre um e outro poema, entre um e outro choro de violão, uma quantidade de você. E, de tempo em tempo, percebo o quanto de você existe nesse pouquinho de mim. Mas, talvez realmente soe dramático ou extremo demais aos ouvidos de muitos, só que, sinceramente, dizer que você é o que esperei toda a vida não pode ser considerado exagero…
Schimene Weber

 Talvez soe dramático ou extremo demais aos ouvidos de muitos, mas dizer que você é o que esperei durante toda a vida não é exagero. Até seu jeito de segurar minhas mãos se tornou diferente. Teu sorriso passou a ser o mais bonito de todo o mundo, e seus olhos que quase se fecham quando você sorri são tão brilhantes quanto às estrelas que, todas as noites, iluminam o céu. Teu jeito de arrumar o óculos chega a ser engraçadinho, e suas mãos, quando se abrem pra segurar algum livro ou até mesmo a xícara de café, parecem que podem segurar o mundo. Teu ombro largo te dá a aparência de um homem feito, e o tanto de barba que tem em teu rosto é o ideal pra que, quando encoste o queixo em mim, meu corpo se arrepie. Seu abraço, rapaz… Seu abraço é quase um abrigo, uma tenda, onde sei que posso me recolher quando o medo for maior que minha coragem, ou quando apenas estiver cansada demais. E, teu beijo é tão doce quanto o mel, tua boca é tão macia quanto penso que uma nuvem pode ser. Gosto tanto de todas as coisas em você, que se você olhasse firme em meus olhos e me prometesse que seria capaz de me fazer voar, eu acreditaria em teu olhar de promessas e deixaria você fazer o que bem entendesse comigo. Gosto tanto de todas as coisas em você, que até mesmo os seus defeitos eu preservaria. Parece que cada traço, por menor que seja, faça de você o que é certo pra mim, e como uma via de mão dupla, cada coisinha em você se encaixa em mim, e, me faz guardar entre uma ou outra citação, entre um e outro poema, entre um e outro choro de violão, uma quantidade de você. E, de tempo em tempo, percebo o quanto de você existe nesse pouquinho de mim. Mas, talvez realmente soe dramático ou extremo demais aos ouvidos de muitos, só que, sinceramente, dizer que você é o que esperei toda a vida não pode ser considerado exagero…

Schimene Weber

2 years ago with 3 notes

2 years ago with 2401 notes

Encaro-me no espelho. A bebida deixou traços cansados em meu rosto. Minha vista dói, marcas de insônia deixam meus olhos mais escuros, minha boca ficou seca. Estico os braços e coloco as mãos à vista, esmalte vermelho descascando, mão magra, braço marcados com pequenos hematomas roxos. Resultado da noite anterior. Talvez se você estivesse aqui, mal saberia reconhecer a garota que me tornei. Nem eu consigo. Se não soubesse sobre mim, diria “Pobre coitada é aquela!”. Acendo um cigarro, olho a janela, o peito parece chorar baixinho. Um pouco mais de vinho, essa hora, pode funcionar. E escorre a chuva, e faz frio, e tudo dói. Até a poesia. Até o amor. “As coisas não vão bem”, digo a mim mesma. Que adianta, não? Repito essas mesmas palavras há 5 meses, e não faço o menor esforço pra melhorar. Provavelmente, é porque tanto faz. É… Essa é a verdade, tanto faz. A vida deixou de ser bonita quando você sumiu de vista, as músicas ficaram até mesmo sem som, os sorrisos andam meio cinzas, as bocas parecem repetir sempre as mesmas palavras, os amantes das esquinas parecem que perderam a paixão. Ou talvez seja só um monte de coisa amontoada em minha mente, que me faça pensar assim. Que me faça sentir assim. Que me faça sofrer assim. Sempre me disseram que a vida não é justa, mas também não disseram que, quando se brinca com amor, o fogo arde dentro de si. E as coisas boas, junto com as ruins, queimam. E o que sobra é um vazio enorme, cheio de pontos de interrogação e incertezas que não deveriam estar ali. Quem sabe seja esse mesmo o resultado de se envolver com coisa séria, de jogar sentimentos, de tentar se entregar de mão beijada a alguém, que você nem sabe se vai estar ali na manhã seguinte. Eu pensei que você fosse estar. E, quando coloquei o braço ao lado, pra alcançar você, a distância já não permitia. Um bilhete foi o que sobrou, o que restou de você, além do cheiro no lençol e da navalha que usava pra fazer a barba. Mas, não. Isso não é um pedido pra você voltar. Muito menos um pedido pra que venha logo buscar tuas coisas, porque elas me fazem pensar em você. É só um desabafo, de mim pra mim mesma, de como as coisas estão. Porque agora, por um momento, eu não consigo lembrar de você com um sorriso de canto no rosto, que me dá um milhão de boas memórias. Agora, e só agora, sinto o mundo saindo debaixo dos meus pés. É como se eu tivesse perdido o controle de tudo, de mim mesma. E o que eu quero, mais que tua presença, é voltar a colocar os pés no chão.

Schimene Weber

2 years ago with 4 notes

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